domingo, 20 de março de 2016

Resenha: A Estética de Aristóteles

     A Estética de Aristóteles trata da mousiké seguindo as linhas de Platão em "Paideia", ele demonstra bem a forma como a poesia e a música atingem de formas diferentes as pessoas, separando-as em principal em massas
(que trabalham para suprir suas necessidades) e classes superiores. A mousiké por fim terá sua função dividida em duas partes principais: formar e divertir ao mesmo tempo.

     "Pode-se, com efeito, distinguir ao menos duas espécies de recreação: por um lado, a paidiá, ou seja, o “divertimento” que permite relaxar o corpo e o espírito após as fadigas e as pressões da ascholía – o que se diz em latim o negotium, o “tempo do trabalho”; por outro lado, a diagogé, ou seja, o “lazer cultural”, próprio aos homens que, para além do repouso “fisiológico”, podem gozar da scholé (em latim: otium), o tempo livre de “trabalho” e consagrado à terapia do espírito (Arist., Pol. 8.4, 1338a)."

     A definição de "ser livre" é dita como a oportunidade de dominar seu tempo, Aristóteles defende os aspectos da música sem deixar de mencionar como é importante a mente e a posição do homem que a ouve, os homens que desfrutam dos prazeres intelectuais das coisas mais belas.


     "O homem que se realiza nas competições públicas para procurar o aplauso dos espectadores exerce uma prática necessariamente ignóbil, ao passo que o homem que se volta para as Musas para cultivar a arte como amador demonstra a excelência de seu espírito. Para este amadores, a função pedagógica da mousiké se explicará por um uso prudente dos instrumentos e das melodias."

     Os homens "livres" ou seja; que possuem scholé, são chamados de bons e belos, os kalokagayhói (bons e belos) devem aprender a música em vista de um prazer pessoal e permanecerem afastados de ambições profissionais que não sejam convenientes a seu nível. Durante o restante do texto, é possível perceber que não há desligamento entre a arte e o homem, e que este último, segundo Aristóteles em sua obra Problemas, está sujeito às melancolias e demais sensações que possam ser causadas dentro de um teatro, até mesmo nos homens de exceções, não havendo exceções sequer para homens nobres ou livres.

     Por fim o autor oferece uma minuciosa declaração sobre a kátharsis, deixando claro suas incertas e mais prováveis definições como representando da "pureza" das linguagens que só poluem, e como ela é citada por Aristóteles como uma terapia médica, um remédio que provoca um choque emocional capaz de descarregar ou “purificar" o frenesi orgiástico para dar a agradável leveza de uma "alegria inocente" (ablabés chara).

     "Resta que a leitura paralela das passagens da Política e da Poética nos permite tirar conclusões razoáveis em relação à kátharsis.
Em uma perspectiva sociopsicológica que ultrapassa tanto o formalismo de Górgias quanto o moralismo de Platão, Aristóteles concebe a “purificação” mental e física como um conforto moral e intelectual ao mesmo tempo. Justamente por aí que o prazer da kátharsis se oferece ao público cultivado."

BIBLIOGRAFIA: 
LOMBARDO, G. L’esthétique antique. Paris: Klincksieck, 2011. (collection 50 questions).