Sinopse: O pianista polonês Wladyslaw Szpilman (Adrien Brody) interpretava peças clássicas em uma rádio de Varsóvia quando as primeiras bombas caíram sobre a cidade, em 1939. Com a invasão alemã e o início da 2ª Guerra Mundial, começaram também restrições aos judeus poloneses pelos nazistas. Inspirado nas memórias do pianista, o filme mostra o surgimento do Gueto de Varsóvia, quando os alemães construíram muros para encerrar os judeus em algumas áreas, e acompanha a perseguição que levou à captura e envio da família de Szpilman para os campos de concentração. Wladyslaw é o único que consegue fugir e é obrigado a se refugiar em prédios abandonados espalhados pela cidade, até que o pesadelo da guerra acabe.
Trailer
Este filme é a obra prima dos filmes de guerra que buscam enfatizar o drama causado por ela, e mostrar como os humanos podem se tornar completamente demoníacos pelos mais tolos motivos. Ao meu ver não há exageros no drama, tudo está ali na medida certa e a angústia vai tomando conta de nossos corações, principalmente por serem fatos reais. Hitler é uma página coberta de sangue na história dos judeus e de boa parte do mundo, é claro. Nesta obra, Polanski trata de transformar as lembranças de Wladyslaw Szpilman contidas em seu livro lançado em 1945 mas que sob forte censura daquelas décadas, só se tornou de conhecimento internacional na sua reedição em 1998. A narrativa é suave e muitas cenas não possuem falas e não precisam, porque são de uma representação dramática surpreendente. A perspectiva da narrativa é perfeita porque sentimos a confusão de informação que os judeus sentiram, não havia certeza sobre o que estava acontecendo, e depois que aconteceu não tinham certeza do porquê estava acontecendo.
É de conhecimento global as atrocidades da segunda guerra mundial mas o filme busca mais do que horrorizar com gore, ele busca impactar sentimentalmente mostrando a destruição de uma família pelo medo, pela dor e pela separação. Desta forma nos esquecemos um pouco das centenas de filmes que retrataram a história de soldados que se tornaram heróis para lembrarmos de como civis são impotentes frente a guerra. Aliás nós repensamos o conceito de guerra reduzindo-o a um ponto onde assumimos que guerra é entre duas forças que tem armas para lutar, entre civis e uma força armada não se caracteriza guerra mas sim extermínio, covardia, holocausto...
No caso dos judeus nem é preciso comentar que foram um caso a parte da destruição que a guerra trás para os civis por terem sido vítimas diretas, intencionalmente atacados e massacrados. O filme tem ritmo lento sem ser chato ou enjoativo, e conta com boas interpretações de uma forma geral, a história é muito bem ajustada com a fotografia, e o posicionamento das câmeras das cenas carregam certa naturalidade no ponto de vista do personagem, afinal às vezes só podemos ver algo mas devido a distância não ouvimos, e às vezes ouvimos sem podermos ver, esse suspense deixa algumas cenas mais emocionantes do que seriam se víssemos a totalidade das mesmas. Lá perto do fim o filme nos traz uma perspectiva do início da derrota alemã por um ângulo interno, e o desfecho da história emociona por toda a trajetória de Szpilman até ali. Se pensarmos que todo o drama narrado foi sob a perspectiva de um homem, de uma família que sofreu, ficamos a pensar sobre as milhões de famílias massacradas e a situação dramáticas daqueles que foram seus últimos membros depois de terem visto, impotentes pelo medo e pela fraqueza, seus entes queridos sendo punidos sem motivo algum. Um grande filme com uma história emocionalmente, vale a pena assistir, e se possível ler o livro também.



