domingo, 20 de março de 2016

Mangá: Shingeki no Kyojin (Attack on Titan)

criado por Hajime Isayama


   Sinopse: A história ocorre em um mundo onde a população humana vive dentro de cidades cercadas por enormes muros construídos como defesa para o súbito aparecimento dos Titãs, criaturas humanoides gigantescas que devoram humanos sem motivo aparente. O foco inicial da história é em Eren Yeager, sua irmã adotiva, Mikasa Ackerman, e seu amigo de infância, Armin Arlert, que se tornam militares para combater os Titãs após terem sua cidade destruída e a mãe de Eren ser morta.




   Uma coisa é certa, titãs comem humanos Shingeki é um mangá consideravelmente diferente dos mangás que fizeram muito sucesso nos últimos anos. A história é cheia de titas mistérios e não perde tempo tentando mostrar que em tempos de guerra as pessoas são cheias de fé e persistentes, o mangá mostra características humanas raras nos mangás de hoje em dia, como inveja, covardia, traição, mentira, desespero, falhas de caráter, e por aí vai. O mangá tem um roteiro que faz-se necessária a atenção subliminar, numa rápida lida a história é só aquilo mesmo, titãs gigantes que comem  muitos humanos que vivem dentro de restaurantes muralhas, mas basta uma leitura mais atenciosa e crítica, para se perceber as críticas sociais que o mangá faz para a nossa sociedade, como a divisão de classes, o desinteresse dos poderosos em relação a população que é tratada literalmente como números, o monopólio da informação e as proibições de livros históricos e geográficos que agridem moralmente um povo de conhecimento raso e alienado a escutar as falácias dos governantes que acabam desencorajando os que sonham derrotar os titãs e alcançar a tão sonhada liberdade.

    Isso faz com que grande parte da população se conforme em viver no pequeno espaço das muralhas, considerando qualquer plano de derrotar os titãs como uma utopia. O governo tem seu pilar de força retórica nessa condição, e quando o acidente ocorreu em Shingashina, cinco anos antes da linha do tempo atual da série, mandou 250 mil pessoas para a morte certa, tudo para conter os gastos com alimentação. Vale a pena ressaltar, para quem ainda não leu o mangá, que os titãs surgiram há 100 anos e que antes disso a humanidade vivia sem os titãs mas em guerras por territórios e etnias, logo nos primeiros capítulos vemos Armin pegando um livro de geografia escondido e lendo com Eren, ambos dizem que o que estavam fazendo era ilegal, ou seja; qualquer livro que aborde o mundo antes do surgimento dos titãs é considerado proibido pelo governo, fazendo o povo viver historicamente preso nos últimos 100 anos. Mais tarde, em capítulos muito depois, é mostrado que o pai de Erwin era um professor que foi morto por teorizar uma possível conspiração do governo para afastar a população de algum fato histórico importante antes desses "100" anos de vivência na muralha.

     O protagonista tem objetivos já vistos em outros mangás, como a necessidade de lutar por um mundo melhor e seu desejo pessoal de matar os titãs, responsáveis pela morte de sua mãe. Porém com o decorrer da história vemos o autor trabalhando a personalidade do protagonista fazendo com que apreciemos o crescimento intelectual dele que passa a sofrer com o peso de sua responsabilidade para o futuro da humanidade ao descobrir um segredo que muda radicalmente sua personalidade na trama. A cada volume lançado nós vamos nos desapegando de heróis tradicionais, e o anti-heroísmo vai se prevalecendo. Deixamos de ver discursos bonitos sobre a paz, para ver uma ponte para a paz criada com muito sangue e violência pelas mãos de Erwin, um dos melhores personagens que eu vi na minha vida de mangás/anime. Um comandante que não hesitará em sujar suas mãos de sangue para descobrir os segredos perversos do governo monarca, responsável diretamente por ocultar informações importantíssimas sobre os titãs, uma atitude cruel que resultou na morte de milhares de soldados sob ordens de Erwin nos seus 5 anos como comandante da tropa exploratória, quase que praticamente um esquadrão de elite suicida que tenta incansavelmente descobrir algo revelante sobre os titãs se aventurando do lado de fora das muralhas.

      A trama não se contém em continuidades de arcos e a cada capítulo vem trazendo mais revelações fazendo-nos ficar apreensivos e fiéis seguidores de teorias, e falando em teorias... existem dezenas delas. Isayama vem fazendo seu papel de autor com excelência e toca Singeki com primor como uma obra contínua de muitos acontecimentos que rumam num mesmo objetivo, e acrescenta mais conteúdo aos personagens sem precisar apelar para arcos fora da trama principal e sem nos deixar enjoados com o desenrolar das intrigas ligadas aos personagens principais. Shingeki no Kyojin é um mangá de críticas a todos os formatos sociais, é possível perceber dezenas de grupos culturais/sociais participando da conspiração do governo, é um mangá harmonioso e uma diversão garantida, vale MUITO a pena a leitura. Para finalizar tenho que dizer que tive de fazer esse texto fora de um formato direto sobre a obra, escolhi assim para respeitar quem ainda não leu, por isso evitei dar Spoiler demais, e por isso o texto ficou distante das últimas revelações da série.

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